Bebés que sentem mais (ou menos)

Bebés que sentem mais (ou menos): compreender os padrões de disfunção de integração sensorial em bebés

Cada bebé percebe o mundo à sua maneira. Quando o sentir, o mover e o reagir se tornam um desafio, compreender os diferentes padrões de integração sensorial é o primeiro passo para apoiar o desenvolvimento.

Há bebés que choram com o barulho do aspirador, assustam-se com o toque da roupa, ou rejeitam o colo. Outros parecem desligados, tranquilos demais, quase indiferentes ao que os rodeia. Há ainda os que demoram a sentar-se, cair e levantar-se, ou que parecem confusos quando precisam de aprender algo novo, mesmo simples.

Estas diferenças podem estar relacionadas com a forma como o cérebro do bebé recebe, organiza e responde à informação sensorial, o que chamamos de integração sensorial.

Jean Ayres descreveu este processo como “o modo como o cérebro organiza as sensações do corpo e do ambiente para que possamos usá-las eficazmente” (Ayres, 2006). A integração sensorial é o processo neurológico que nos permite dar sentido ao que sentimos — ao toque, movimento, som, luz, cheiros e também sensações internas. Quando ocorre de forma harmoniosa, o bebé sente-se seguro e aprende com o mundo. Quando há disfunção, essas respostas tornam-se exageradas, lentas ou desorganizadas.

De acordo com Smith Roley & Roley (2016) existem quatro padrões de disfunção de integração sensorial em bebés:

  • O bebé irritável (“fussy baby”): é o bebé que reage de forma intensa a sons, luzes ou toques.
  • O bebé sonolento (“sleepy baby”) – Sub-responsivo, dorme em excesso e mostra pouca curiosidade. 
  • O bebé desajeitado (“clumsy baby”) – Dificuldades no controlo postural e equilíbrio. 
  • O bebé desorganizado (“disorganized baby”) – Dificuldade em planear e aprender novas ações.

Nem todos os comportamentos difíceis indicam disfunção, mas sinais persistentes com impacto no sono, alimentação, interação ou movimento podem refletir desafios na autorregulação e na integração sensorial, que são bases da aprendizagem e do vínculo afetivo; por isso, procurar um terapeuta ocupacional especializado pode fazer uma grande diferença, ajudando a criança a desenvolver equilíbrio, segurança e curiosidade para explorar o mundo (Smith Roley & Schaaf, 2001; Smith Roley, 2016).

Baseado no artigo “Ayres Sensory Integration® for Infants and Toddlers”, Smith Roley, Singer & Roley (2016).

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